Angústia

Foi naquela manhã que ela amanheceu se questionando o que havia acontecido na noite anterior, tudo parecia uma bagunça, tudo estava completamente longe e distante, e tinha uma coisa desperta naquela garota, um lado que ela não conhecia, e que na verdade, não estava nem um pouco feliz por aquilo ter despertado, era ruim, era escuro, era novo e pra piorar, ela não sabia como lidar com aquilo. Quando as coisas começam a acontecer muito rápido como agir? Como sair de um sentimento e entrar em outro, sem querer, sem pedir, sem enlouquecer antes? Se esforçar para não ter os sentimentos abalados, os neurônios queimados, e um cérebro explosivo, um coração explosivo.

É complicado aquele sentimento que surge quando você se auto sabota, confia na pessoa errada e parece ainda pior, quando você não aprende nunca, vai lá e faz de novo. Ela havia despedaçado o coração daquele rapaz, e não sabia como ir atrás pra conseguir juntar tudo, ela havia falado que ele não se arrependeria, mas ela mesmo fez com que isso acontecesse, ela não sabe lidar nem com ela mesmo, como que queria tentar lidar com um outro alguém? Talvez ele tenha razão em tudo que a disse, em tudo que deixou escapar, talvez assim ela comece a agir certo dessa vez.

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O primeiro pensamento dela naquela manhã foi de como tudo ocorreu rápido demais, alguém invadiu a sua vida e estragou tudo que havia de bom, como se ela estivesse montando um castelo de cartas e quando estivesse no topo, viesse alguém e assoprasse levando abaixo tudo o que levou um tempão para ser levantado e o pior, ela da um jeito de fazer isso com seu próprio ar. Talvez a parte ainda pior seja o fato da pessoa que fez isso, já foi uma das melhores pessoas do mundo, e agora se transformou apenas num sentimento obscuro e frio.

Não dá pra definir tudo que está passando pela cabeça daquela garota, enquanto ela olha a sua xícara de chocolate quente, fingindo que está tudo bem e sorrindo pras pessoas que passam a sua volta, é complicado definir a falta que aquele garoto vai fazer na vida dela, seus cuidados, seu sorriso, suas broncas, é complicado definir o quando ela gostaria de ser a garota dele, a dos sonhos dele, mas ela erra o tempo todo, tão raramente consegue dar uma bola dentro. E como lidar com a falta? A falta de tudo o que eram, de tudo que ela destruiu, de tudo que foi a culpada e que não adianta voltar, nem pedir desculpas, se sente pior, a cada vez que vê aqueles sonhos descendo pelo ralo, indo pelo bueiro abaixo, como se realmente fosse água, escorrendo pelos seus dedos e mesmo que feche as mãos, ela cai pelos cantos. E no fundo ela só quer acreditar que no final do dia tudo ficará bem, qualquer dia desses, tudo vai ficar bem. Dizem que quando existe amor, tudo fica bem no final, não é?

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Perdão.

Haveria um tempo em que as nuvens cinzas iam desaparecer dando lugar ao céu azul, com um sol brilhante e pássaros cantando ao nosso redor, pelo menos até a próxima tempestade chegar e apagar alguma coisas. Mas o que seriam dos momentos bons, se não houvesse o ruim, não é mesmo?
    Quando eu menos imaginei, lá estava você, lembro do seu sorriso, dos seus olhos, e dos seus braços me oferecendo segurança, me dizendo que tudo ia ficar bem, era só dar tempo ao tempo. Lembro de ter você se preocupando comigo durante a noite, ou sem dormir pois eu não chegava em casa, nunca notei o quão importante você estava sendo naquele momento pra mim.
      Lembro de ter conhecido um rapaz que tinha um sorriso intrigado, um pouco desconfiado, uma barba bonita e um olhar irresistível (“Esse sou eu?”), lembro de ter visto em ti paz, e um pouco de guerra, um sim e um não, um querer não querendo, um pouco de mim em você! Uma sensibilidade sem igual, que você criou de repente, você tem razão, a cada dia o seu melhor, a cada manhã, o meu melhor.
      Lembro você comentando como eu era chata, e quem sabe, pensando: “Como eu consigo gostar de alguém assim?”, lembro de algumas risadas e coisas como: “Eu enlouqueço com você, mas fico muito pior sem…”, toda uma relação baseada em tentar afastar sentimentos de apego, isso até o primeiro desentendimento, “O que custa dar mais uma chance?”, e confessa que não doeu e que valeu, valeu cada minuto, e cada segundo do seu tempo gasto comigo, tendo a certeza que tudo estava correndo bem e que o seu trabalho estava concluído.
    Preciso perder a mania de unificar as coisas, de juntar tudo e de me sentir melhor se você estiver por perto, preciso perder a mania de me prender a você, de precisar do seu “Bom dia” em todos os dias, preciso perder a mania de tentar encontrar o acerto no meio de todos os nossos erros, de tentar fugir de todos os nossos problemas. Preciso conseguir desaparecer em todas as nossas loucuras e apagar todos os sonhos malucos que tive com você em nossas noites mal dormidas, preciso pensar em outra maneira de relaxar, e buscar outro porto seguro, talvez uma nova maneira de me distrair em noites sem sono. Preciso conseguir um lugar pra viajar em algum final de semana perdido, com aquele dinheiro que era pra ser trocado por passagens de trem para um lugar distante, ou avião que é mais rápido, falando nisso, você decidiu pra onde iriamos?
    Sobre aquela história de tempestade, dessa vez foi eu quem trouxe a chuva para perto de nós, ops, desculpa, pra perto de mim e sem querer de ti, talvez, um pedido sincero de desculpas faça essa chuva parar, e o céu voltar a ser claro, nossos sorrisos voltarem a ser leves, e nossos sentimentos voltarem a ser puros e limpos. Sei que houve atitudes erradas, e nada coincidia com as minhas palavras, talvez eu não saiba sentir da maneira correta, talvez eu erre toda hora, talvez eu só precise da sua ajuda, da sua compreensão, talvez não, talvez você precise realmente ficar longe de mim e eu tenha que conseguir uma outra maneira do dia ser colorido, ou talvez você simplesmente possa sorrir ao terminar de ler isso aqui e pensar “Talvez outra chance não seja assim tão ruim, afinal, o que vai ser dela sem mim?”

Frio, queijo e vinho!

Ouça enquanto lê!

Era uma noite fria, eu estava ali sentada olhando-o andar pra lá e pra cá, parecia preocupado com alguma coisa! Ele era filho do amigo do meu pai, estávamos juntos a um tempo já, provavelmente uma das melhores escolhas que eu fiz, naquele momento eu não sabia muito bem o que estava acontecendo, mas ele estava nervoso. Eu estava sentada no sofá com uma blusa de moletom, um short e uma meia, tomando uma xícara de chocolate quente, pensei em oferecer um pouco pra ele, mas talvez ele precisasse de algo mais forte, desci pra buscar um vinho na adega, senti ele me seguindo com os olhos. Quando voltei, ele estava finalmente sentado no sofá, batendo as pernas, fui até a cozinha peguei duas taças e trouxe até ele.

“Desde quando você concorda que eu beba?”
“Hoje você vai, parece nervoso!”
“Tudo bem, mas só uma!”

Preenchi a taça dele, enquanto ele olhava nos meus olhos, por algum motivo estávamos sozinhos e com isso meu coração batia 3x mais forte do que normalmente. Ele tirou a taça da minha mão e chegou bem perto, fiquei vidrada naqueles olhos claros e ele olhando pra minha boca.

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“Talvez essa também seja uma boa forma de me parar!”

Ele foi colocando a mão pela minha nuca e me beijando bem de leve, eu o abracei, e ele foi me colocando com cuidado no sofá, sem deixar de me beijar, tirou minha camiseta e estava tudo em câmera lenta, virou a taça de vinho dele que estava em cima da mesa de centro e sorriu pra mim, aquele sorriso bobo e sem vergonha como se me dissesse,

“agora você é minha!”,

e eu era mesmo, toda e completamente dele e ele me lembrava disso a cada vez que beijava meu pescoço, me fazendo arrepiar do começo ao fim, ele foi descendo pela minha barriga me beijando, eu estava indo a loucura e como estava, e ele sorria com os olhos, era carinhoso, me fazia esquecer o mundo, aonde estávamos mesmo? Lembro-me bem de como ele estava quando eu comecei a brincar com ele, quando eu comecei a descer, a expressão do rosto dele, posso dizer que nunca o vi tão bonito, nunca o desejei tanto quanto naquele momento, senti a pele dele se arrepiar toda quando eu beijava a orelha dele, e quando nós nos transformavam os em um só corpo, em uma só respiração, como aqueles olhos brilhavam, como a pele dele era macia e se encarregava de me trazer a segurança completa de poder me entregar a ele, sem medos ou temores, eu sempre soube que estaria tudo bem enquanto estivéssemos juntos. E cada vez que chegava ao final e eu dava aquele suspiro, era como se minha alma simplesmente saísse de mim e fosse encontrar a dele em qualquer outro lugar que não fosse ali, elas voltavam de repente, retirando toda nossa energia e nos fazendo cair… “Só você consegue me tirar de mim desse jeito!”, ele me beijou e me abraçou, foi quando eu tive a plena certeza de que ele não foi uma das minhas melhores escolhas, ele foi a melhor!

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Uma noite qualquer.

Era uma noite fria, olhei pros lados, arrepiada, um amigo olhou pra mim e disse: “você parece com frio, toma!” tirou a blusa e me deu, encostei numa cadeira e fiquei assistindo a galera passar, sem querer, o vi de longe, estava procurando alguém, olhando pra todos os lados, até seu olhar encontrar com o meu, um sorriso surgiu no canto da sua boca e veio em minha direção, “está sozinha?”, balancei minha cabeça afirmando que sim, ele puxou uma cadeira e sentou do meu lado. Era engraçado o jeito sem graça que ele ficava, ou que eu ficava, não sei bem, mas foi bom conversar com ele durante algum tempo, até chegar um pessoal e sentar com a gente, era como se eu estivesse em casa, deve ser isso, aquela coisa de fazer alguém de seu lar e naquele momento, era ele, e estávamos com visitas, incríveis visitas.

Olhei para todos os lados e não encontrava saída, de repente tínhamos química, tinha alguma coisa acontecendo naqueles olhares… “Quer saber, eu não aguento mais…”, eu estava sentada, com as pernas por cima das pernas dele, ele virou pra mim, levantou um pouco e me beijou, demorei um pouco pra notar o que estava acontecendo, mas estava, e eu estava girando em uma órbita distante, num espaço vazio, e naquele momento nada mais importava, além dos sorrisos entre beijos e estar com ele!

Considerações.

Consideremos que eu realmente acredite em fadas, e que é verdade que elas nascem a cada sorriso. Na verdade a cada primeiro sorriso de um bebê. Considerando o jeito inocente que você me faz sorrir e a freqüência com que faz isso, podemos considerar que eu já possuo uma vila de fadas só com as minhas risadas.
Se consideramos o quanto você me faz bem, que somos feitos um para o outro, o quando as nossas almas viajam pra ficarem juntas, podemos considerar que fomos feitos juntos, tudo bem, você foi pro forno primeiro, é justificável se considerarmos que você realmente tem que ser mais maduro pra me aguentar.

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Eu posso considerar também a sensação que eu tive ao primeiro oi, a primeira conversa, a nossa primeira noite juntos, nossas primeiras lembranças, e nossas primeiras risadas, da pra chegar a una conclusão de que eu sou sua! E eu não sou sua como pronome de posse, mas como significado de não querer ser de mais ninguém, que se for pra ficar acordada a noite que seja por você, se for pra se irritar que seja com você, se for pra chorar que seja por você, e se for pra ser a pessoa mais feliz do mundo, que seja com você! E eu nem precisei te beijar ou te tocar pra saber que se considerarmos a hipotenusa, dividido pela raiz quadrada da regra de três de 30, vai dar o valor de… Não, calma! Talvez eu não precise de ciências contábeis para explicar na minha vida, o que eu só preciso de 3 palavras. É, se considerarmos a minha vida ser melhor com você, chegamos ao resultado final de um grande, eu te amo.

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