Perdão.

Haveria um tempo em que as nuvens cinzas iam desaparecer dando lugar ao céu azul, com um sol brilhante e pássaros cantando ao nosso redor, pelo menos até a próxima tempestade chegar e apagar alguma coisas. Mas o que seriam dos momentos bons, se não houvesse o ruim, não é mesmo?
    Quando eu menos imaginei, lá estava você, lembro do seu sorriso, dos seus olhos, e dos seus braços me oferecendo segurança, me dizendo que tudo ia ficar bem, era só dar tempo ao tempo. Lembro de ter você se preocupando comigo durante a noite, ou sem dormir pois eu não chegava em casa, nunca notei o quão importante você estava sendo naquele momento pra mim.
      Lembro de ter conhecido um rapaz que tinha um sorriso intrigado, um pouco desconfiado, uma barba bonita e um olhar irresistível (“Esse sou eu?”), lembro de ter visto em ti paz, e um pouco de guerra, um sim e um não, um querer não querendo, um pouco de mim em você! Uma sensibilidade sem igual, que você criou de repente, você tem razão, a cada dia o seu melhor, a cada manhã, o meu melhor.
      Lembro você comentando como eu era chata, e quem sabe, pensando: “Como eu consigo gostar de alguém assim?”, lembro de algumas risadas e coisas como: “Eu enlouqueço com você, mas fico muito pior sem…”, toda uma relação baseada em tentar afastar sentimentos de apego, isso até o primeiro desentendimento, “O que custa dar mais uma chance?”, e confessa que não doeu e que valeu, valeu cada minuto, e cada segundo do seu tempo gasto comigo, tendo a certeza que tudo estava correndo bem e que o seu trabalho estava concluído.
    Preciso perder a mania de unificar as coisas, de juntar tudo e de me sentir melhor se você estiver por perto, preciso perder a mania de me prender a você, de precisar do seu “Bom dia” em todos os dias, preciso perder a mania de tentar encontrar o acerto no meio de todos os nossos erros, de tentar fugir de todos os nossos problemas. Preciso conseguir desaparecer em todas as nossas loucuras e apagar todos os sonhos malucos que tive com você em nossas noites mal dormidas, preciso pensar em outra maneira de relaxar, e buscar outro porto seguro, talvez uma nova maneira de me distrair em noites sem sono. Preciso conseguir um lugar pra viajar em algum final de semana perdido, com aquele dinheiro que era pra ser trocado por passagens de trem para um lugar distante, ou avião que é mais rápido, falando nisso, você decidiu pra onde iriamos?
    Sobre aquela história de tempestade, dessa vez foi eu quem trouxe a chuva para perto de nós, ops, desculpa, pra perto de mim e sem querer de ti, talvez, um pedido sincero de desculpas faça essa chuva parar, e o céu voltar a ser claro, nossos sorrisos voltarem a ser leves, e nossos sentimentos voltarem a ser puros e limpos. Sei que houve atitudes erradas, e nada coincidia com as minhas palavras, talvez eu não saiba sentir da maneira correta, talvez eu erre toda hora, talvez eu só precise da sua ajuda, da sua compreensão, talvez não, talvez você precise realmente ficar longe de mim e eu tenha que conseguir uma outra maneira do dia ser colorido, ou talvez você simplesmente possa sorrir ao terminar de ler isso aqui e pensar “Talvez outra chance não seja assim tão ruim, afinal, o que vai ser dela sem mim?”

Um conto sobre saudade

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Ela. 00h. Frio. Em casa sozinha.
(Pega o celular, desbloqueia a tela) Estou pensando seriamente em ligar pro Pedro, mas ele vai me achar maluca. (Larga o celular)
Ele. 00h01. Frio. Numa festa.
(Pega o celular, desbloqueia a tela) Lugar cheio de gente, mas ta tudo vazio aqui dentro, apenas saudades. Mas e se ela estiver voltando de um rolê com as amigas? Não, ela provavelmente vai causar comigo (Larga o celular)
Ela:
(Pega o celular, desbloqueia a tela)Está frio e chovendo, ele deve estar querendo um lugar pra dormir, alguém pra conversar, ou pra jogar a culpa de tudo na minha cara. (Larga o celular)
Ele:
Será que ela está sentindo a minha falta da mesma maneira que eu sinto a dela?
Ela:
Talvez ainda tenhamos uma chance e se ele estiver com os meninos em alguma festa, qual o problema? Tem tanto espaço nessa casa, a gente joga alguns colchões na sala e deita todo mundo.
Ele:
E se eu chamasse os meninos? Meu game ainda está lá, montamos ele e viramos a noite, porque não? Vou mandar mensagem.
Ela:
“Hey, você esta em casa?”
Mensagem dele.
Ele:
“Estou.”
Porque tão seca?
Ela:
“Estou com saudades.”
O que eu faço, o que eu faço?
Ele:
“Hum.”
Eu não acredito. Melhor parar.
Ela:
Ele não mandou mais nada. Vou ligar.

– alô?
– Camila?
– oi Pedro!
– graças a Deus, estou com saudades.
– vem pra cá, agora.
– eu te amo.
– eu te amo.

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